29.4.17

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sabe mamãe
não reneguei as raízes
com o prenúncio de um mundo novo;
era a noite das profundas
depressões e as cores
que se abriam eram  
promessas de alento ao
rude estofo

receava a fome e o frio
e um certo bafejo como itinerário
de uma pressuposta propulsão 
mas andava com a lentidão
das coisas de ver
num aceno propício 
ao encontro

despertei anos depois
com uma libra de procela 
conseguida no olhar
e o pó das estrelas
que beijei triunfante
nas mãos

foi o que me salvou mamãe



Sofia


6 comentários:

manuela barroso disse...

Ha sempre um cais onde acordamos das insônias .
Linda viagem poética , Sofia!
Beijinhos 😘

© Piedade Araújo Sol disse...

há sempre algo que nos desperta e nos salva
mesmo que seja
no pó das estrelas

ou nas asas do nosso anjo da guarda

muito belo!

gostei da imagem de suporte ao poema.

beijinhos

:)

Mar Arável disse...

Bjs tantos

Lucy Mara Mansanaris disse...


Ah Sofia, teus voos são tão belos...
Um carinho e saudade imensos me trouxeram aqui, que bom, saio com a alma repleta.
Gratidão imensa.

manuela barroso disse...

O vento não me trouxe sua poesia
Vim buscá-la Sofia! Beijinho**

Manuel Luis disse...

Continuas a resistir a esse salvamento mesmo em noites de estrelas.
Bjs