29.4.17

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sabe mamãe
não reneguei as raízes
com o prenúncio de um mundo novo;
era a noite das profundas
depressões e as cores
que se abriam eram  
promessas de alento ao
rude estofo

receava a fome e o frio
e um certo bafejo como itinerário
de uma pressuposta propulsão 
mas andava com a lentidão
das coisas de ver
num aceno propício 
ao encontro

despertei anos depois
com uma libra de procela 
conseguida no olhar
e o pó das estrelas
que beijei triunfante
nas mãos

foi o que me salvou mamãe



Sofia


22.4.17

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se acaso for de amar
o sorriso que te veste 
me chame

de mãos dadas
pouco a pouco
na alegre ventura de olhar para
um mesmo lugar
estarei contigo

do contrário
continuaremos a construir
uma coroa de espinhos
onde a nossa estupidez 
vai depois buscar flores


Sofia

16.4.17

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(reescrito)


no arpoar das excessivas viagens
é quando mais regresso 
aos meus olhos de céu
para que me multipliquem
os passos

sempre imigrante
absorta em esmeralda líquida 
num desacerto de mar 
onde crepitam
fogo    terra   ar
chego a porta

mas nem sempre tenho nas mãos
um bom bordão ou a 
contrapartida de um oásis
para atravessá -la


Sofia


6.4.17

Do caminho







sou essa mesma
a converter um corpo alto
num verso pequeno
de palavras minúsculas
tão mínimas e miúdas
que se não for o acaso
a lhes emaranhar as raízes 
um dia serão sopro
penugem
uma escotilha solta no tempo
uma ranhura
no sorriso breve
e arteiro
de quem viveu
para ser semente

por isso
não são bem os verbetes
que se alastram
nas cristaleiras do pensamento
o que entorna o vinho a minha sede
mas a cadência luminosa
com a qual vou 
à nascente



3.4.17

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porque já não nos pertence 
o tempo sem movimento
onde as janelas vão dar sempre
para o mesmo lugar

porque não nos cabe mais
essa lonjura de clima
ameno a despedaçar
com lábios acesos 
trajetos mal elaborados
infinitamente

sem dor alguma
é no horizonte
entre as ruínas dessa avalanche 
e o nada
que se projeta
o nosso último poente








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sabe mamãe não reneguei as raízes com o prenúncio de um mundo novo; era a noite das profundas depressões e as cores que se abri...