31.1.17

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é cedo para abismos
se me ardem ainda
as paredes da casa
e o verão alonga -se
nos olhos transeuntes
das ilusões

deles chegam -me
ares de desatino
e anjos negros trazendo
um tumulto de pássaros
desgovernados pelas mãos

nos cristais dos dias tristes
não chegam a amadurecer
fenecem desfigurados
sob uma nuvem de poeira
de tropel

portanto
se me perguntarem 
direi:
é cedo para abismos


......


Um dos meus poema foi declamado num outro sotaque. Gostei muito...  Aqui


24.1.17

Um coração de estrelas







não me habita
a solidão das ilhas
se das tuas mãos
saltam barcos movidos
por um coração
de estrelas

cintilantes
vem de todos os lados
instalar -se na garganta
despindo lentamente
a noite derramada no olhar
para que eu não emudeça

a olho nu
cresce -me o tempo 
de te querer perpétuo
e inteiro
como o vento úmido e fecundo
de nossa sede



17.1.17

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vivo
a sua passagem
como centelha
de um rabisco
se uma luz 
vem claríssima
beijar minha boca

há quaresmeiras
florindo inteiras
nos jardins vastos
de janeiro cheio
e um desejo qualquer
preso aos cabelos

mas ainda adormeço
sob a tutela de um rio
perfeito
que não o meu

apenas seu




10.1.17

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abundavam enredos
e corcéis cravejados de adjetivos 
nesse mar de vagas epopeicas
enquanto os gestos
de uma arlequina desbocada
te prendiam o olhar

era para ser tênue 
a ponte de contas coloridas 
que os unia

era para ser finito 
o riso desprendido 

e no entanto
à boca do infortuno
ainda sobrevivem
a contar os frutos



3.1.17

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são fluídas e ondulantes
as palavras que te vestem
de jardim nas manhãs
em que te sei doce
oriundi 
de um rio que se agita
sobre um leito de pedras
modeladas incessantemente pela
sabedoria das suas mãos
a água te eleva
e me purifica

à espreita dos dias
nos quais esqueço
de sorrir





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sabe mamãe não reneguei as raízes com o prenúncio de um mundo novo; era a noite das profundas depressões e as cores que se abri...