21.12.16

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Isabela





quando dezembro chegou
trazendo nos braços
um deus menino
empapuçado das pequenas ilusões
sem os azuis dos dias claros
e os pássaros  
cuja verdura já não perdura no olhar
é que pudemos perceber 
a pele tatuada de vazios
dos que inventavam flores
rubras irreais

não se leva ao cabo
o que não se constrói 
com o suor das mãos
dizia mamãe

já agora
como apátridas em combustão  
fenecemos todos nus
pelos beirais
de um país que não é nação 

renasceremos?   






4.12.16

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é sempre breve
o tempo de colher
eternidades

longínquo é o instante
de se ajustar
aos ponteiros voláteis
desse mosaico
de ilusões

dos teus lábios
[chama de inenarráveis
intenções]
acolho o que me acolhe
na contramão dos afetos
e sobretudo
a negritude desse chão
onde agora
estendo um alfarrábio
de timbres e estrelas
para que nele adivinhe
a luz percorrendo -me os horizontes
pontuando o tempo
com inabalável exatidão