8.7.17

Das rosas








das rosas sofridas
que dizem sobreviver
a qualquer abismo
não sei dos espinhos

porque do solo onde se afundam

ingrimes e definitivas
avisto apenas os vazios que lhes
crescem a volta das suas cicatrizes

e qual ismos atados a corcéis em desatino

não chegam a refletir
escapam -me ante a superfície onde me
reconheço e por isso
nem sei se realmente existem



5.7.17

O fio da memória






nem sempre os dias
foram essa solidão de ilhas
acorrentando ao coração
açucenas e estrelas
ante a violação
do mar
mas eis -me outra vez
a reconstruir
paredes e arestas
onde me caibam
a ternura dos gestos
ou
o contraponto de uma
história que valha
o fio da memória


29.4.17

.






sabe mamãe
não reneguei as raízes
com o prenúncio de um mundo novo;
era a noite das profundas
depressões e as cores
que se abriam eram  
promessas de alento ao
rude estofo

receava a fome e o frio
e um certo bafejo como itinerário
de uma pressuposta propulsão 
mas andava com a lentidão
das coisas de ver
num aceno propício 
ao encontro

despertei anos depois
com uma libra de procela 
conseguida no olhar
e o pó das estrelas
que beijei triunfante
nas mãos

foi o que me salvou mamãe



Sofia


22.4.17

.







se acaso for de amar
o sorriso que te veste 
me chame

de mãos dadas
pouco a pouco
na alegre ventura de olhar para
um mesmo lugar
estarei contigo

do contrário
continuaremos a construir
uma coroa de espinhos
onde a nossa estupidez 
vai depois buscar flores


Sofia

16.4.17

.





(reescrito)


no arpoar das excessivas viagens
é quando mais regresso 
aos meus olhos de céu
para que me multipliquem
os passos

sempre imigrante
absorta em esmeralda líquida 
num desacerto de mar 
onde crepitam
fogo    terra   ar
chego a porta

mas nem sempre tenho nas mãos
um bom bordão ou a 
contrapartida de um oásis
para atravessá -la


Sofia