22.4.17

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se acaso for de amar
o sorriso que te veste 
me chame

de mãos dadas
pouco a pouco
na alegre ventura de olhar para
um mesmo lugar
estarei contigo

do contrário
continuaremos a construir
uma coroa de espinhos
onde a nossa estupidez 
vai depois buscar flores


Sofia

16.4.17

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(reescrito)


no arpoar das excessivas viagens
é quando mais regresso 
aos meus olhos de céu
para que me multipliquem
os passos

sempre imigrante
absorta em esmeralda líquida 
num desacerto de mar 
onde crepitam
fogo    terra   ar
chego a porta

mas nem sempre tenho nas mãos
um bom bordão ou a 
contrapartida de um oásis
para atravessá -la


Sofia


6.4.17

Do caminho







sou essa mesma
a converter um corpo alto
num verso pequeno
de palavras minúsculas
tão mínimas e miúdas
que se não for o acaso
a lhes emaranhar as raízes 
um dia serão sopro
penugem
uma escotilha solta no tempo
uma ranhura
no sorriso breve
e arteiro
de quem viveu
para ser semente

por isso
não são bem os verbetes
que se alastram
nas cristaleiras do pensamento
o que entorna o vinho a minha sede
mas a cadência luminosa
com a qual vou 
à nascente



3.4.17

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porque já não nos pertence 
o tempo sem movimento
onde as janelas vão dar sempre
para o mesmo lugar

porque não nos cabe mais
essa lonjura de clima
ameno a despedaçar
com lábios acesos 
trajetos mal elaborados
infinitamente

sem dor alguma
é no horizonte
entre as ruínas dessa avalanche 
e o nada
que se projeta
o nosso último poente








27.3.17

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já não mitificam
as aves antigas
ao meu encontro

sequer andam comigo
em meu refúgio
pela manhã

digo que são agora imagens
de contornos imprecisos
que rodopiam em minha pele
a traquinice das suas 
sombras

e aos que acreditam
serem espinhos os gestos
que me saltam dos pulsos
direi apenas
que também pode ser 
atilado o amor

mas sem o seu rosto
meu amor
sem o seu rosto
(seiva elaborada
de todos os meus instantes)
de que outro modo
ascenderei aos desígnios
impávidos neste solitário
voo?


22.3.17

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não me acorde 
com brados de desafios
quando tenho para ti guardado
a mais bela das flores

um a um
removi todos os espelhos 
que de ti 
revelavam serem plebeias
as minhas mãos

mas ainda andam comigo
as clareiras onde as vezes
me desmorono contra o chão 
e o brilho redundante 
de meu nome


16.3.17

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hipnotiza -me
o perfume das rosas
que evola das tuas mãos

mãos que cuidam
restauram a luz do meu corpo
à salga dos caminhos incertos

absorvem de uma só vez
o suor que se precipita a face
dos dias longos

reacendem a noite nos olhos  
se é de pranto o fulgor 
com que te acolho os passos

para que me seja sempre
de sol as manhãs



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se acaso for de amar o sorriso que te veste   me chame de mãos dadas pouco a pouco na alegre  ventura de olhar para...